Especial Covid-19Os desafios de um autônomo no cenário Covid

O consultor galvanotécnico Pedro de Araújo apresenta sua visão sobre a crise causada pela pandemia. Para ele é momento de aplicar o conhecimento, se solidarizar e aguardar, pois tudo vai passar e trazer novas oportunidades, incluindo, quem sabe, uma reindustrialização no Brasil. Confira                   Como você têm enxergado a situação atual? Sou autônomo, faço parte de um contingente de mais 1,3 milhão de profissionais autônomos que atuam no país segundo os dados da Organização para...

O consultor galvanotécnico Pedro de Araújo apresenta sua visão sobre a crise causada pela pandemia. Para ele é momento de aplicar o conhecimento, se solidarizar e aguardar, pois tudo vai passar e trazer novas oportunidades, incluindo, quem sabe, uma reindustrialização no Brasil. Confira                  

Consultor Galvanotécnico Pedro de Araújo
Como você têm enxergado a situação atual?

Sou autônomo, faço parte de um contingente de mais 1,3 milhão de profissionais autônomos que atuam no país segundo os dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados em janeiro de 2020. Segundo a instituição, o Brasil ocupa a terceira posição no mundo com mais trabalhadores informais, isso ocorrendo como resposta às taxas de desemprego do país e às necessidades das empresas, que contratam profissionais qualificados para projetos específicos a custos mais baratos com a qualidade na especialização que desejam e objetivando a otimização do tempo e flexibilidade do profissional.

Fui afetado pela pandemia num momento que fiz investimentos em novos projetos para o setor galvanotécnico, acreditando que o Brasil está no rumo certo para o seu crescimento. A pandemia, causada por um vírus microscópico que não anda, não nada, não voa, que necessita de seu hospedeiro humano para se multiplicar – e posteriormente destruí-lo -, fez com que minha atividade fosse paralisada, da mesma maneira que a de bilhões de pessoas em todos os setores da economia mundial. Assim, fiz a primeira constatação: 7,7 bilhões de seres semelhantes lidando com suas diferenças foram afetados de alguma maneira pela pandemia, portanto, o que me resta é seguir as instruções dadas por órgãos de saúde oficiais e aguardar a solução.

A segunda constatação foi de que apenas a atividade humana foi afetada. O planeta está adoecido pela atividade humana desenfreada, essa oportunidade é para o planeta se curar. Logo, conclui-se que nem tudo está perdido. Percebi que há ordem no caos. Lembrei de que há alguns anos venho alertando, em minhas publicações e palestras, sobre o excessivo consumo dos recursos naturais, sobre a excessiva atividade antrópica…

Venho repetindo vozes de cientistas de que o planeta está cheio. Cheio de gente descontrolada. E parece que agora o planeta ficou cheio da gente descontrolada. Um vírus microscópico paralisou a atividade antrópica negativa. Então olhei para dentro, para o meu universo individual e me posicionei perante o universo coletivo. Nada mais importa nesse momento do que a cura para o planeta e para a humanidade que o habita. Compreendi que é preciso viver intensamente e com responsabilidade cada instante, cada sopro, cada respiração. Numa única direção, num único objetivo: curar ambos, planeta e humanidade, pois, somente assim, dias melhores no mundo serão possíveis em breve.

Quais foram as principais ações implantadas por você, como autônomo, para combater a Covid-19 e manter o seu negócio?

Eu refleti sobre como agir nesse momento de reclusão e listei:

  • Seguir todas as orientações de órgãos de saúde que façam sentido para curar a humanidade e incluir aquelas que podem curar o planeta;
  • Estou disponível para ajudar quem precisar, seja uma orientação profissional, seja um alento, seja algo material que tenho disponibilidade. Ou seja: estou, a qualquer instante, disponível dentro de meus limites físicos e energéticos. Se precisar de mim, só fazer contato!
  • Estando recluso e disponível, precisei mudar um pouco minhas prioridades: primeiro me proteger e me fortalecer para poder ter as forças para ajudar. Mudei meus hábitos diários para usar coisas simples, rápidas e aquelas disponíveis no momento;
  • O trabalho em casa (home-office) para mim é possível, dependendo do que será feito, mas meus investimentos em novos projetos estavam fora dessa linha de atuação, requererem o meu trabalho nas instalações do cliente, a demonstração, para que – com a constatação de minha proposta – o cliente compre. Voltei à época da barriga no tanque, acreditando que o Brasil vai crescer, e o Brasil vai crescer e vou aproveitar esse momento para ajudar nesse crescimento.  Logo, estou em estado de stand-by, a disposição para quem precisar de minha atuação profissional em regime home-office.
Qual o planejamento para minimizar os impactos econômicos dessa fase?

Sou autônomo, não tenho outra fonte de renda se não trabalhar! Estou em casa por motivo que não criei. Sem poder trabalhar e sem ganhar. Meus clientes são indústrias com processos galvanotécnicos algumas estão funcionando nessa pandemia, mas cancelaram tudo, pedidos, testes, reuniões, etc…

Estou em quarentena e mesmo sabendo dos problemas financeiros que virão fico em casa. E não vou sair exceto por extrema necessidade, como cuidar de minha mãe diariamente. Sobrevivi a todos os planos econômicos que impactaram este país desde 1986. Vou sobreviver à Covid-19 e aos seus impactos após 2020! As contas virão, os custos fixos continuam. Minhas reservas financeiras quase a zero por conta de investimentos recentes e a crença de resultados positivos.

Como fazer? Administrei as prioridades, negociei o que foi possível, e não fiquei na esperança de ajuda governamental, mesmo porque não me enquadro em nenhuma das opções de ajuda oferecidas pelo governo, exceto emprestar dinheiro, e isso para mim está fora de cogitação. Para março consegui cumprir com meus compromissos, em abril, parte já está resolvida e parte negociada. E assim viverei os próximos meses até o reestabelecimento das condições de trabalho. A ordem é não gastar e fazer alimentação simples, feita em casa. Tenho minha crença e determinação, isso me dá força para seguir com minha decisão de ficar em casa, pois me enquadro no grupo de risco.  Essa é uma decisão minha diante do quadro atual que se estabeleceu no planeta.

Cada um, cada único. O que se espera é que cada único entenda a necessidade de conter a disseminação da Covid-19 e que os efeitos colaterais sejam administrados na economia com sabedoria e igualdade.

Quais medidas o Sr. acha que o governo deveria adotar para que a classe empresária sofra menos impactos negativos por conta da quarentena?

Além das medidas do protocolo de segurança e saúde que já foram anunciadas pelos governos, e da ajuda financeira que será destinada a um significativo e expressivo contingente de cidadãos e empresas brasileiras, medidas ainda em fase de implementação, é prioritário também reindustrializar as cadeias intermediárias produtivas da indústria em solo nacional, elevar a tributação dos produtos e componentes industriais que migraram para mercados asiáticos nos últimos 15 anos e gerar trabalho e renda no país.

Por enquanto, ainda devemos cumprir o protocolo de isolamento social, no momento que houver segurança para o trabalho, o Governo deve incentivar a produção, mas é preciso fiscalizar para manter a segurança para evitar a transmissão do vírus até que esteja sob controle e tudo possa voltar à normalidade.  Penso que estamos numa situação muito mais relacionada a assumir uma nova cultura que requer adoção de um novo protocolo de segurança do que da possibilidade de implementar o trabalho seguro.

Gostaria de ilustrar minha constatação sobre a questão da reindustrialização das cadeias produtivas da indústria citando o comportamento da balança comercial de algumas cidades da área compreendida entre Jundiaí-Campinas-Piracicaba-Sorocaba, que concentra elevado PIB e um dos maiores polos tecnológicos e industriais do País, fui pesquisar os dados relativos a 2019 no link http://comexstat.mdic.gov.br/pt/municipio do Min. da Industria, Comércio Exterior e Serviços (veja gráfico ao final do texto). Não tenho dúvidas de que a maior parte das importações vieram da China, para onde, nos últimos 20 anos, as multinacionais e algumas empresas nacionais transferiram suas compras de componentes para aquele país (as fábricas fornecedoras da cadeia produtiva) resultando no enorme desemprego e desindustrialização do Brasil, entretanto mantendo suas unidades de montagem por aqui. E o Governo Federal aumentou a arrecadação com tributos de importação, arrecadando mais do que se o produto fosse fabricado no Brasil.

 

Comportamento da balança comercial de algumas cidades

Penso que agora é a hora de reverter esse quadro internando toda a cadeia produtiva aqui no Brasil. Muitos países estão pensando e discutindo essa questão devido ao momento que vivemos e assumindo que não dá para deixar seu povo à míngua enquanto engorda povo de outro país. Pela reindustrialização da cadeia produtiva da indústria, sugiro uma campanha nacional. #MADE IN BRAZIL, JÁ!

Qual a sua mensagem inspiradora/de esperança para o mercado?

Há ordem no caos. Este é um momento de aplicar o conhecimento. Por mais difícil que seja, nada está perdido, tudo está conforme deve ser. Assim, devemos viver cada instante, como se fosse o último aqui no planeta. Devemos fortalecer a solidariedade, o amor ao próximo, a união entre os povos, se possível ir para a linha de frente ajudar no combate ao inimigo invisível de alguma forma direta ou indiretamente. É preciso unidade. Mesmo que distante fisicamente, ficar junto, estender a mão. Há sempre uma oportunidade à espreita, fique atento. Acredite que após o período que ainda está incerto, teremos dias melhores. E é fundamental que alimentemos a Força e a Fé dos profissionais da saúde, segurança, transportes, e outros trabalhadores que, na linha de frente, lutam à sua maneira contra o inimigo!

É prioritário que se cumpram as determinações dos organismos de saúde mundiais para conter a disseminação do contágio viral. Faça sua parte, mesmo que o sentimento seja de que há dois vírus no Brasil: Um biológico outro político!  Ambos estão a caminho da extinção.

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Leia nos links abaixo artigos publicados na Revista Tratamento de Superfícies da ABTS 
  • Artigo ” INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E PRODUÇÃO MAIS LIMPA NA GALVANOPLASTIA”  publicado na Revista Tratamento de Superfícies 196, pg. 42-43, 

http://www.abts.org.br/images/img-publicacoes/tratamento_de_superficie-196/rts-196.pdf

  • Artigo “FURAR É IMPORTANTE”  publicado na Revista Tratamento de Superfícies 203 – p. 39-41  

http://www.abts.org.br/images/img-publicacoes/tratamento_de_superficie-203/rts-203.pdf 

  • Artigo  ” LICENCIAMENTO AMBIENTAL COMO CATALISADOR PARA A SUSTENTABILIDADE” publicado na Revista Tratamento de Superfícies 214 – p. 45-47

http://www.abts.org.br/images/img-publicacoes/tratamento_de_superficie-214/rts-214.pdf

  • Artigo “GALVANOPLASTIA (IN) SUSTENTÁVEL” publicado na Revista Tratamento de Superfícies nº 216 –  p. 38-43

https://abts.org.br/images/img-publicacoes/tratamento_de_superficie-216/rts-216.pdf 

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Pedro Araújo

MBA em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, Pós Graduando em Perícia e Auditoria Ambiental e Consultoria Galvanotécnica e Ambiental

pdearaujo64@gmail.com

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Autor: Da Redação

B8 Comunicação e Editora

A B8 Comunicação desenvolve projetos editoriais completos, desde a concepção até a publicação. Nosso trabalho envolve a criação de projetos gráficos, coordenação de pautas, reportagens, entrevistas, produção e edição de textos, serviços fotográficos, edição de imagens, diagramação, editoração eletrônica, pré-impressão e comercialização de espaços publicitários.

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