Grandes ProfissionaisTS 219TS onlineDo deserto do Saara, ou para as terras geladas da Mongólia

Antonio Carlos de Oliveira Sobrinho fez sua carreira na Mercedes-Benz, onde atua há 40 anos e se especializou em Tratamento de Superfície. Ele revela: as inovações automotivas utilizadas na Europa são as mesmas do Brasil, incluindo em revestimentos. Conheça as últimas novidades nesse setor e saiba mais sobre a trajetória do executivo que começou como aluno na ABTS e tornou-se presidente da associação Autor: Ana Carolina Coutinho Talvez você não saiba, mas a Mercedes-Benz tinha...
B8 Comunicação e Editora4 semanas ago23 min
Acompanhamento na planta de veículos especiais
da Mercedes-Benz em Worth

Antonio Carlos de Oliveira Sobrinho fez sua carreira na Mercedes-Benz, onde atua há 40 anos e se especializou em Tratamento de Superfície. Ele revela: as inovações automotivas utilizadas na Europa são as mesmas do Brasil, incluindo em revestimentos. Conheça as últimas novidades nesse setor e saiba mais sobre a trajetória do executivo que começou como aluno na ABTS e tornou-se presidente da associação

Autor: Ana Carolina Coutinho

Setor automotivo com os dois pés no futuro. Novo conceito em veículos comerciais.

Talvez você não saiba, mas a Mercedes-Benz tinha no Brasil uma divisão de galvanoplastia dentro da fábrica, que funcionou até os anos 2000. Foi nessa escola que Antonio Carlos de Oliveira Sobrinho se especializou em Tratamento de Superfície e é na própria empresa alemã, onde permanece até hoje, que o executivo iniciou sua carreira. Sua história, contudo, começa com mecânica, por meio da Escola de Aprendizagem Industrial, interna na empresa, mas administrada pelo Senai, isso nos idos de 1980. Logo em seguida, Sobrinho cursou Técnico em Química e Ciências Químicas e garantiu um estágio no laboratório da própria companhia “deixando para traz as atividades de mecânico”. Nesse ponto seu caminho também cruzou o da ABTS

Assim como ocorreu com a Mercedes, ele também conheceu a ABTS naquela época, procurando aumentar seus conhecimentos. De lá, nunca mais saiu … Foi, inclusive, presidente, de 2013 a 2015. Ele conta: “Iniciei como aluno, pois aprender com os mestres que lá atuavam e depois fazer parte deste grupo foi uma satisfação incomensurável, depois passei por diretor secretário, diretor cultural, presidente, coordenador técnico no EBRATS e continuo fazendo parte do conselho”.

Dentre todas essas atividades, ele confessa, uma das que mais lhe trouxeram satisfação pessoal: “Atuar como Diretor Cultural, pois a atividade de ensinar e aprender considero muito gratificante e a forma mais rápida e honesta de um povo se desenvolver!”. Ainda hoje, seus objetivos referem-se a aprendizado e à transmissão de conhecimentos. “Quero poder ensinar mais o que aprendi e aprender com o que estou ensinando, gosto de poder ser professor, mesmo que em nosso país o reconhecimento ainda ficar a desejar, mas vale pelo prazer de fazer bem feito”.

Início dos anos 2000 – Renovação dos laboratórios

Do deserto ao clima tropical

Trabalhar em uma empresa automotiva mundial do porte da Mercedes é estar no epicentro de tendências e inovações, e das cobranças relacionadas ao valor do nome. Eles não podem deixar de oferecer aquilo que qualquer marca sonha significar: qualidade! Sobrinho, hoje, é analista da Qualidade de Materiais na Mercedes-Benz: “Para um material ter a qualidade Mercedes-Benz, desde a sua gestação já está sendo pensado com qualidade, durabilidade e menor impacto ambiental, e como este material será destinado no ‘Fim de Vida do Veículo’”, explica. O grande aprendizado é “trabalhar nos materiais com custo acessível, que superem as necessidades dos nossos clientes e causem o menor impacto no final do seu ciclo de vida, para isto, os profissionais têm atuado com afinco, pois sabemos que as crises são passageiras e são nelas que as grandes corporações se destacam. Nossa qualidade é constantemente testada, investimos em ensaios dos componentes e do produto completo, que permite estar sempre buscando melhoria dos revestimentos, das camadas protetoras, pinturas e dos tratamentos térmicos, que também estão contidos nos nossos cuidados de Tratamentos de Superfície, com processos que preservem a qualidade de vida dos profissionais da área e utilizem o mínimo de recurso necessário, com menor impacto ambiental, tarefa que é um aprendizado diário, nosso e dos nossos parceiros!”, revela.

Visita aos laboratórios de corrosão em Sindelfingen

Nos anos 2000, a empresa encerrou sua divisão interna de galvanoplastia. Essa ocorrência levou Sobrinho a se especializar ainda mais na área de Tratamento de Superfície, pois ele tinha a necessidade de acompanhar os revestimentos que adquiriam de terceiros. Com a evolução atual do setor automotivo os desafios são ainda mais prementes, incluindo em sua área de expertise. “Nossos produtos têm que atender o calor do deserto e o extremo frio da Ásia, para isto desenvolvemos ensaios de avaliação da resistência à corrosão que expõe o veículo a todas estas condições e compartilhamos estas informação com todas as plantas de cada país, sendo o veículo fabricado no Brasil, na Europa, Ásia, ou qualquer outra parte do planeta tem que atender as mesmas necessidades. Este compartilhamento de informações permite que estejamos constantemente aprendendo e ensinando, em contato dinâmico com as novas tecnologias. Hoje uma tecnologia desenvolvida do outro lado do mundo estará presente no Brasil em pouco tempo, bastando querer e criar condições de consumo para a mesma”.

Os carros elétricos vão mudar tudo

A mudança no setor automotivo não veio apenas com o comportamento do consumidor e o advento dos aplicativos. Inclusive realizar parcerias faz parte da estratégia da Mercedes, como revela Sobrinho: “O Setor da companhia que atuo está mais voltado a ‘veículos comerciais’, assim, os aplicativos ainda não afetaram tanto, o que não significa que não venham a influenciar, mas a inteligência estratégica da companhia está preparada para estas inovações, possivelmente criando parcerias com empresas de aplicativos e até com concorrentes, ‘melhor dividir que não existir’. Em meados de 2019 os grupos Daimler (controlador da Mercedes-Benz) e BMW anunciaram o fechamento de um acordo para desenvolvimento conjunto de sistemas autônomos de condução. Grandes grupos necessitam de evoluções dinâmicas para se manterem vivos”.

Aliás, desde os anos de 1990, a Mercedes vem investindo em veículos autônomos. Contudo, para Sobrinho o impacto maior vem com os veículos elétricos e híbridos, incluindo também um modo diferente de pensar em tratamentos de superfície. “Os veículos elétricos estão revolucionando o mercado automotivo e, com certeza, teremos que revolucionar juntos, pois a energia elétrica que impulsionará esses veículos circulará por nossos componentes revestidos, que deverão ter seu peso e proteção superficial voltado às novas necessidades. Com a necessidade de inovação das matrizes energéticas, precisamos nos preocupar com a possibilidade de facilitar a formação de ‘pilhas’ e acelerar o processo de corrosão em alguns componentes, os revestimentos estão sendo repensados, como também pela necessidade de reduzir peso”, explica.

Neste contexto, ele antevê o que virá de inovação em revestimentos automotivos. “A área de nanotecnologia ainda tem muito a colaborar quanto falamos de tratamentos de superfície, com camadas mais finas e mais eficientes. Mas também apostaria em camadas autodepositáveis, como evolução das que temos no mercado hoje, que ainda não apresenta a melhor condição para este revestimento. Serão linhas extremamente curtas e com facilidade de aplicar em regiões internas sem a preocupação com o princípio de ‘Gaiola de Faraday’, conseguindo resultados até superiores ao processo E-coat”.

Para o executivo, a nanotecnologia veio para ficar e fará próxima revolução do setor. “A evolução das nanocamadas autodepositáveis, sem necessidade de pré-tratamento, a não ser o desengraxe, será algo bastante interessante, pois eliminará algumas etapas de processo e economizará um volume considerável de água. A utilização das impressoras 3D também vem para transformar os processos de produção automotiva, fechando com os veículos elétricos que tendem a cada vez depender menos dos ‘Sistemas de Transmissão’. Tendo veículos com menor quantidade de componentes”, visualiza.

Para vida

O executivo também procura expandir seu conhecimento estudando a neurolinguística, que trabalha técnicas para auxiliar o cérebro a ser mais assertivo na comunicação e na busca pelos objetivos, além de estimular a memorização e maior percepção. “Defendo o lema: ‘Com as informações que tínhamos, tomamos as melhores decisões que podíamos tomar, com novas informações teremos novas escolhas’, assim, perder tempo questionando pode tirar a oportunidade de aprimorar a nossa existência…”. Sobrinho também deixa claro duas inspirações. A primeira: “Está em uma frase que sempre compartilho com os colegas: ‘O que acontece em sua vida, você Permite, Provoca ou Participa’, esses 3 P’s fazem com que nos tornemos responsáveis por nossas escolhas e nossas vidas! Minha inspiração, quando estou ministrando aula, estou ensinando, mas sempre aprendendo também”. E a segunda, surgiu há 10 anos e o mudou para sempre: “Um ponto que mudou minha vida pessoal e profissional foi o nascimento de ‘Minha filha’, hoje com 10 anos. Eu sempre via os filhos dos nossos colegas comentarem sobre a empresa com orgulho, agora eu tenho essa experiência do brilho nos olhos dela”, emociona-se.

Para fechar, Sobrinho conta que a grande novidade da Mercedes é um caminhão inteligente que apresenta também uma mudança de paradigma. “O Novo Actros – O Caminhão Inteligente é um  veículo mundial que traz uma série de inovações que, providencialmente, tornam mais fácil e seguro o trabalho desses profissionais que transportam o desenvolvimento do nosso país, com conforto e qualidade de vida, evolução que se iniciou nos veículos grandes e agora se difundem para os médios e pequenos”.

A prova: o início da carreira de Sobrinho na Mercedes em 1980! 

Do “deserto do Saara, ou para as terras geladas da Mongólia ou Rússia”, como o próprio executivo diz, a empresa precisa atuar com a mesma qualidade e requisitos. “A indústria brasileira tem igual capacidade de acompanhar a evolução de seus pares no exterior, e para a indústria automotiva não é diferente”, afirma e dá um recado para o executivo industrial no Brasil: “Sempre ter: visão nos Mercados Globais, Velocidade de Criação e Desenvolvimento! Cuidar dos conhecimentos dos profissionais de tratamentos de superfície, pois em caso de falha poderá faltar expertise para resolvê-las. Cada vez menos depender dos políticos para auxiliar na solução dos seus desafios, pois em época de ‘Corona Vírus’ ou crise na Bolsa, estes estão mais preocupados com seus negócios que com o futuro do país. Foco no mercado da Índia, pois vencendo a crise do ‘Corona’ ainda vão influenciar, e muito, o mercado de consumo Mundial!”, aconselha. Fica a dica!

 

Leia mais: Conteúdo publicado na revista Tratamento de Superfície | Edição 219 – Abril 2020

Acesse a edição 219 digital | Abril 2020

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