Especial Covid-19As lições das empresas do Vale do Silício para enfrentar a crise do Coronavírus

Empresário do Vale do Silício, EUA, oferece dicas imprescindíveis para a sobrevivência das companhias na pandemia   

Empresário do Vale do Silício, EUA, oferece dicas imprescindíveis para a sobrevivência das companhias na pandemia   

Felipe Lamounier  é sócio da StartSe, uma empresa de capacitação para desenvolvimento de negócios localizada no Vale do Silício.

A pandemia da Covid-19 gerou uma crise econômica global sem precedentes num curto espaço de tempo e este impacto também atingiu o principal polo de inovação, tecnologia e empreendedorismo do mundo, o Vale do Silício. Entretanto, morando por aqui a mais de cinco anos arrisco a dizer que as maiores empresas de tecnologia já estavam ‘preparadas’ com antecedência para esta crise. E elas podem ser as grandes vencedoras desta pandemia global.

A demanda por seus serviços on-line explodiu entre pessoas e empresas em um cenário de quarentena global. Estamos comprando na Amazon, assistindo a shows ao vivo no Facebook, armazenando cada vez mais fotos no iCloud da Apple e procurando receitas de panificação no Google.

Coletivamente, Facebook, Microsoft, Apple, Amazon e Alphabet representam quase 40% do valor de mercado da Nasdaq. Com certeza, todos os cinco gigantes da tecnologia estão contratando centenas, senão milhares, somente na Califórnia. A COO do Facebook, Sheryl Sandberg, disse recentemente à CNBC que a gigante de mídia social de Menlo Park planeja contratar 10.000 pessoas ainda este ano na area de produtos e engenharia.

Lições que podem ser aprendidas com as empresas do Vale do Silício para aproveitar a vantagem em uma desaceleração:

Foque na Expansão

Conversei com alguns especialistas que estão empreendendo por aqui há mais de 20 anos, para entender a visão deles sobre os impactos econômicos da pandemia no Vale do Silício e todos eles foram enfáticos em dizer que esta desaceleração econômica em particular está favorecendo as gigantes que possuem reservas de caixa para aguardar uma queda temporária de receita e que elas neste momento estão focando na expansão dos seus mercados.

Tomemos, por exemplo, o mercado de livestream, que está explodindo agora, graças à pandemia. As ofertas do Facebook para este mercado incluem o Messenger e, mais recentemente, o Messenger Rooms, que permite até 50 pessoas conversándo ao mesmo tempo, no mesmo canal. Frentes que foram aceleradas pelo Facebook com o foco na expansão.

A Microsoft, somente no LinkedIn, do qual ela é dona, possui a oferta de quase 300 mil empregos em todo o mundo no momento da publicação deste artigo. A Amazon contratou 175 mil pessoas para sua rede de atendimento e entregas desde o início da pandemia. Atualmente, a Amazon está procurando mais de 3 mil pessoas somente na Califórnia.

Além dos maiores nomes do Vale do Silício, as empresas de tecnologia de médio porte também estão contratando.

A VMware, a empresa de software com sede em Palo Alto, tem mais de 300 vagas na Califórnia e mais de 1.400 em todo o mundo. O vice-presidente de aquisição de talentos da empresa escreveu recentemente: “Nossos esforços de contratação estão focados no suporte às cinco prioridades estratégicas da VMware: Modernização de Aplicativos, Multit Cloud, Rede Virtual Cloud, Espaço de Trabalho Digital e Segurança Intrínseca”. A Intel, com sede em Santa Clara, também nos EUA, publicou mais de 700 empregos em seu site, dos quais mais de 70 são baseados na Califórnia.

Segundo a Joint Venture Silicon Valley, a taxa de desemprego preliminar de março de 3,1% no Vale do Silício representou um aumento acentuado em relação à taxa de fevereiro, mas ainda é significativamente menor do que na crise financeira de 2009, quando o desemprego atingiu 10,5%.

Uma desaceleração é um bom momento para investir em pessoas – por exemplo, para atualizar a qualidade de suas equipes de gerenciamento. A competição entre as melhores pessoas no mercado será menos acirrada, com uma disponibilidade maior deses talentos e com um custo correspondente menor de investimento.

Invista para o futuro

Os investimentos feitos hoje em áreas como desenvolvimento de produtos e tecnologia da informação ou produção, em muitos casos, só darão frutos após o término desta crise econômica. Esperar para avançar com esses investimentos pode comprometer sua capacidade de capitalizar oportunidades quando a economia se recuperar. E o custo desses investimentos será menor agora, à medida que a competição por recursos diminui.

Dadas as restrições financeiras atuais e considerando que sua empresa não está ‘sentada’ em 200 milhões de dólares de ativos líquidos como a Apple, você não poderá fazer tudo – ou mesmo a maioria das coisas que deseja. Mas isso não lhe impede de fazer grandes apostas. Priorize as diferentes opções, protegendo os investimentos que provavelmente terão maior impacto na saúde da sua empresa a longo prazo, adiando aqueles com resultados positivos menos certos e abandonando os projetos que seriam ‘nice to have’ (algo como: ‘bom para ter’), mas que não são cruciais para o sucesso futuro.

Veja o exemplo da própria Apple que acabei de mencionar. A empresa não estava em boa forma quando entrou na recessão de 2001-2003. A receita dela caiu 33% em 2001 com relação ao ano anterior. No entanto, a Apple aumentou suas despesas de P&D em 13% naquele mesmo ano e para cerca de 8% em vendas, contra menos de 5% em 2000.

Resultado: a Apple lançou a loja de música e o software do iTunes, em 2003, e o iPod Mini e o iPod Photo, em 2004, iniciando um período de rápido crescimento para a empresa. A história de hoje todo mundo já conhece, mas poucas pessoas associam o valor de mercado de 1 trilhão de dólares aos investimentos feitos pela companhia em plena recessão de 2001.

As empresas que adotarem a abordagem mais ampla não apenas estarão melhor posicionadas para enfrentar a tempestade atual, mas também estarão mais preparadas para aproveitar as oportunidades emergentes da turbulência e obter uma vantagem na competição à medida que as nuvens escuras começarem a se dispersar.

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